Vivissecção no Ensino de Medicina: Prática Cruel e Desnecessária
18 de março de 2007 - Alice

O termo vivissecção vem da junção, no latim, vivus (vivo) e sectio (corte, secção), e consiste na utilização de animais vivos para experiências de ordem científica (testes laboratoriais, práticas médicas, experimentos na área de psicologia, testes de toxicidade, dissecação e muitos outros).
Infelizmente, na universidade em que estudo, essa prática ainda é utilizada para “ensinar” técnicas cirúrgicas e farmacologia.
Nas aulas de técnicas cirúrgicas utilizávamos cães de rua vivos como cobaias para nossas cirurgias. A turma era dividida em 11 grupos de 4 ou 5 pessoas e cada grupo operava um cachorro por semana, que era sacrificado após a cirurgia.
Dizem que o objetivo das aulas práticas em cães é ver como reagimos frente a sangramentos e complicações reais. Esse objetivo não foi alcançado. Cada aluno reagia de uma maneira particular diante de algum imprevisto e tal reação não pode ser extrapolada para uma sala de cirurgia, com um paciente humano.
Além das técnicas cirúrgicas, tive aulas práticas de farmacologia, na qual a professora dava algumas drogas tóxicas (incluindo estricnina) em dosagens elevadas para ratos que convulsionavam, ainda conscientes. O objetivo era “ver para não esquecer”… Então porque não mostrar um vídeo? Precisava matar dolorosamente mais de 10 ratinhos por semana? Hoje pouco recordo o nome dos fármacos usados nas “experiências”, mas lembro muito bem do sofrimento dos animais…
Além da crueldade, não podemos esquecer que cães, ratos e seres humanos possuem inúmeras diferenças anatômicas e fisiológicas.
Conheço várias universidades que aboliram essa técnica de ensino médico. Tenho certeza que matar um cachorro por semana durante um semestre não me fará, em hipótese alguma, melhor médica do que os profissionais formados por essas instituições. A UFRGS é um bom exemplo, montou um Laboratório de Habilidades e Técnicas Operatórias, com um manequim importado, peças anatômicas e sangue falso para treinamento dos universitários.
A vivissecção pode ter sido importante no passado, mas atualmente ela é substituível por métodos alternativos. No site InterNICHE Brasil há diversas informações e sugestões de alternativas à vivissecção que se equivalem ou até superam esse método, além de notícias, textos explicativos, legislação, e-books entre outros materiais que fundamentam minha opinião.
Dizem que devido à rejeição dos alunos, nos próximos semestres, ao invés de cachorros nas aulas de cirurgia, serão usados coelhos ou porcos. Mas não considero que trocar um animal por outro seja uma boa alternativa. Penso que a única solução seria abolir definitivamente essa prática. A lei de autoria do Vereador Claudio Cavalcanti, aprovada* em 21 de março de 2006, na cidade do Rio de Janeiro é um exemplo de solução para acabar de vez com esse método. Ela proíbe a vivissecção, assim como o uso de animais em práticas experimentais que provoquem sofrimento físico ou psicológico.
Espero que bons exemplos como esses sejam seguidos…
*OBS: A lei foi vetada em 14 de abril de 2006 e aguarda decisão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro sobre a manutenção ou não do veto.

