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Vivissecção no Ensino de Medicina: Prática Cruel e Desnecessária

O termo vivissecção vem da junção, no latim, vivus (vivo) e sectio (corte, secção), e consiste na utilização de animais vivos para experiências de ordem científica (testes laboratoriais, práticas médicas, experimentos na área de psicologia, testes de toxicidade, dissecação e muitos outros).

Infelizmente, na universidade em que estudo, essa prática ainda é utilizada para “ensinar” técnicas cirúrgicas e farmacologia.

Nas aulas de técnicas cirúrgicas utilizávamos cães de rua vivos como cobaias para nossas cirurgias. A turma era dividida em 11 grupos de 4 ou 5 pessoas e cada grupo operava um cachorro por semana, que era sacrificado após a cirurgia.

Dizem que o objetivo das aulas práticas em cães é ver como reagimos frente a sangramentos e complicações reais. Esse objetivo não foi alcançado. Cada aluno reagia de uma maneira particular diante de algum imprevisto e tal reação não pode ser extrapolada para uma sala de cirurgia, com um paciente humano.

Além das técnicas cirúrgicas, tive aulas práticas de farmacologia, na qual a professora dava algumas drogas tóxicas (incluindo estricnina) em dosagens elevadas para ratos que convulsionavam, ainda conscientes. O objetivo era “ver para não esquecer”… Então porque não mostrar um vídeo? Precisava matar dolorosamente mais de 10 ratinhos por semana? Hoje pouco recordo o nome dos fármacos usados nas “experiências”, mas lembro muito bem do sofrimento dos animais…

Além da crueldade, não podemos esquecer que cães, ratos e seres humanos possuem inúmeras diferenças anatômicas e fisiológicas.

Conheço várias universidades que aboliram essa técnica de ensino médico. Tenho certeza que matar um cachorro por semana durante um semestre não me fará, em hipótese alguma, melhor médica do que os profissionais formados por essas instituições. A UFRGS é um bom exemplo, montou um Laboratório de Habilidades e Técnicas Operatórias, com um manequim importado, peças anatômicas e sangue falso para treinamento dos universitários.

A vivissecção pode ter sido importante no passado, mas atualmente ela é substituível por métodos alternativos. No site InterNICHE Brasil há diversas informações e sugestões de alternativas à vivissecção que se equivalem ou até superam esse método, além de notícias, textos explicativos, legislação, e-books entre outros materiais que fundamentam minha opinião.

Dizem que devido à rejeição dos alunos, nos próximos semestres, ao invés de cachorros nas aulas de cirurgia, serão usados coelhos ou porcos. Mas não considero que trocar um animal por outro seja uma boa alternativa. Penso que a única solução seria abolir definitivamente essa prática. A lei de autoria do Vereador Claudio Cavalcanti, aprovada* em 21 de março de 2006, na cidade do Rio de Janeiro é um exemplo de solução para acabar de vez com esse método. Ela proíbe a vivissecção, assim como o uso de animais em práticas experimentais que provoquem sofrimento físico ou psicológico.

Espero que bons exemplos como esses sejam seguidos…

*OBS: A lei foi vetada em 14 de abril de 2006 e aguarda decisão da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro sobre a manutenção ou não do veto.


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11 Comentários em “Vivissecção no Ensino de Medicina: Prática Cruel e Desnecessária”

  1. Olá!!!
    Muito bom seu blog! Mantenha sempre atualizado!!
    Também tenho um sobre medicina e tecnologia, poderíamos fazer uma parceria o q acha?
    Obrigado

    Medicast

  2. Oi, adoro o seu blog…
    Sempre tem informações importantes e muito bem elaboradas.
    Sou vestibulando de medicina e pretendo entrar na EPM ou na USP no final do ano, queria saber se alguma dessas faculdades utilizam a prática de Vivissecção em seu ensino?
    Agradeço desde já…
    E mais uma vez parabéns pelo seu trabalho.

    Dimi

  3. Dimi
    Fiz uma pesquisa rápida e não achei nada sobre a EPM. Sobre a USP, encontrei uma reportagem que diz o seguinte “USP já aboliu o uso de animais vivos para o aprendizado de técnicas cirúrgicas. Após treinarem em cadáveres, os alunos realizam castrações, com a supervisão dos mestres, em animais cadastrados.”
    http://www.arcabrasil.org.br/animais/ciencia/campanha.htm

    Alice

  4. Parabens pelo vosso blog, que eu adoro, e nao poderia deixar de frisar a minha indignacao em relacao a vivisseccao que tambem acho ser algo realmente desnecessario e CRUEL.E de novo os meus parabens.

    Eritsson.

  5. Parabéns! Todas as universidades do Brasil deveriam seguir o exemplo da UFRGS e abolir para sempre esta prática cruel. A vivissecção deveria ser proibida no Brasil e no mundo todo.

    Debora

  6. è ser muito hipócrita…quem for contra estudos com animais, por favor, parem de tomar remédios ou de os fornecer aos seus filhos quando estiver doentes, a final todo medicamento é testado em animais.

    renato

  7. Olá, O uso de animais em cirurgia experimental não é um ato cruel, pois caso você não saiba, utiliza-se de protocolos de anestesia (Cetamina associado a xylazina), o que impede o sofrimento do animal. Estes animais, normalmente são fornecidos por Centros de Controle de Zoonoses que SACRIFICA os animais após a quarentena (como profilaxia da raiva). Esta prática é fundamental para salvar vidas humanas, pois acadêmicos que não passam por esta experiência,o fazem diretamente em seres humanos. Você gostaria que um médico residente que só pegou no bisturi no 1 ano da faculdade(dissecção de cadaveres - que também é muito criticada) realizasse uma flebotomia em um parente seu? ou um outro residente que tratou o animal como paciente e já realizou diversas vezes este mesmo procedimento? Eu acredito que o que pode acontecer, seria a estruturação dos biotérios para cuidar dos animais no pós-operatório e garantir a recuperação dos animais, dessa forma realmente salvando suas vidas, não sacrificando como ocorreria após a captura pelo Centro de Controle de Zoonoses. É claro que os pesquisadores e acadêmicos das Universidades Federais e Estaduais encontram desafios muito grandes e que infelizmente a estruturação adequada destes biotérios se torna uma utopia. Como você mesmo disse, que não gostaria de trocar um animal pelo outro, deveriamos proibir as pesquisas utilizando modelos experimentais, ou será que a vida de um camundongo ou hamster tem menos valor do que a de outro animal? inclua o ser humano. Com isso, gostaria que você refletisse se todos os pesquisadores que utilizam modelos experimentais não o fazem para salvar vidas humanas? Talvez você seja diferente, mas eu não gostaria de ver uma filha minha servir de cobaia para a fim de manter uma ética que poupa um modelo animal, para por em risco uma vida humana.

    Fabiano

  8. Oi,
    Bem quanto às suas aulas de farmacologia eu concordo, pois em fisiologia achei positivo abolirem as práticas com sapos cujo objetivo era verificar a perda de movimentos após incisões na medula (realmente achava cruel, pois eles não eram sequer anestesiados antes). MAS acredito que a CIRURGIA EXPERIMENTAL qualifica melhor o médico. Infelizmente, no internato temos que nos deparar com procedimentos que não são só da clínica (pra quem pára na clinica médica é fácil!). Mas para realmente estar qualificado, para quem realmente pensa que o mais importante é conseguir a cura e o bem estar do paciente, a cirurgia em modelos experimentais, permite o domínio da técnica, afinal é realizada por pessoas inteligentes, profissionais capacitados e eu não acredito que sejam pessoas piores do que eu ou você. O que é errado é entregar o bisturi nas mãos de qualquer acadêmico, sem que este tenha o mínimo preparo para lidar com procedimentos tão complexos. Deveriam ser passados vídeos sobre as técnicas, os alunos observarem pessoas capacitadas realizando o procedimento, ser insistentemente “trabalhada” a questão de que alí pode até não estar um ser humano, mas ele é sim um paciente, e só então, permitir o acesso desse acadêmico ao modelo animal. Infelizmente a medicina é uma arte que beneficia a todos, mas que possui práticas pedagógicas incompreendidas por muitos (inclusive da própria classe médica) que não se esforçam para entender que se utilizamos um cadáver humano, se utilizamos modelos animais, não é por que gostamos de ver sofrimento, dor, mas por que não queremos ser DESumanos ao ponto de reduzir a vida de um semelhante ao papel de cobaia, com sequelas e risco de vida causadas por iatrogenias. Gostaria que assistisse ao filme QUASE DEUSES, e refletisse sobre o que teria acontecido àquela menina com tetralogia de Fallot, se antes não tivesse sido observado no paciente cão que não se pode utilizar suturas contínuas em vasos que ainda estão em crescimento (crianças). Quantas pessoas terão que morrer por erros que poderiam ter sido observados antes do procedimento? Obrigada pelo espaço mas gostaria que refletisse mais.

    Linda

  9. A Linda e o Renato estão certíssimos. A vivisseção é uma prática que deve ser totalmente baseada nos princípios de ética em experimentação animal (a ESPM tem um livro muito bom a respeito), e deve ser feita! Os modelos artificiais não reproduzem a realidade orgânica e tb não dão a seriedade e responsabilidade que uma prática com animais dá.
    Nosso papel é bem aproveitar estas aulas (com estudo teórico prévio e ulterior) e, para quem tiver oportunidade, fiscalizar os biotérios e departamentos que utilizam animais na universidade. Em nossa universidade (UFPR), temos alguns problemas com relação à manipulação animal pelos técnicos do depto de cirurgia experimental, mas a luta é grande para treiná-los melhor e, principalmente, ser EXEMPLO de respeito para com os animais que são tão úteis ao desenvolvimento da ciência.
    A sabedoria está no equilíbrio, e não em ser contra ou a favor completamente.

    Mariana Drechmer

  10. Ola. faço biologia e estou preparando o meu TCC. Precisaria pegar algumas opiniões de profissionais de diversar áreas da saúde sobre a vivissecção, e gostaria de saber se, depois de montado, poderia mandar um questionário com algumas questões sobre a prática. Obrigada. Andressa.

    Andressa

  11. Sou favorável ao uso de animais quando se trata de pesquisa científica ou ensinamento de técnicas cirúrgicas. Contudo, a utilização de animais em aulas de Fisiologia, Bioquímica ou Farmacologia é bastante desnecessária a meu ver.
    Mesmo quando se trata da aula de Tec. Cirurgica, é questionável o argumento que usam dizendo “prefiro ser operado por quem já operou um porco ou cachorro antes”. Ora, ninguém sai operando em país nenhum sem acompanhar um sem número de cirurgias antes (ou ao menos não deveria). O fato de operar um porco ou cachorro familiariza o aluno com as técnicas e com as possíveis reações de um “mamífero” durante a cirurgia, mas não mais que isso. Se for pensar dessa forma vá se operar com um veterinário então, que ele é qualificado.

    Gerson

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